quinta-feira, 18 de junho de 2015

Dívida das famílias atinge recorde, diz Banco Central

Patamar de 46,3% dos lares com débitos, é o maior desde o início da série histórica, em 2005. Juro e amortização consomem 21,98% do orçamento doméstico.



O endividamento das famílias em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses atingiu novo recorde, chegando a 46,3% em abril, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). É o maior índice desde o início da série histórica, em janeiro de 2005, quando a proporção era de 18,42%. O índice, que mede a relação entre a renda acumulada e o estoque de crédito, era de 46,2% em março deste ano e de 45,3% em abril do ano passado.

O aumento pode ser explicado pelo atual momento econômico. “O índice de endividamento das famílias tende a acompanhar a escalada dos juros. O primeiro sintoma de que carregar uma dívida está mais difícil é esse indicador”, explicou o economista Fábio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Outro ponto que ajudou a turbinar a dívida dos consumidores foi a dificuldade de acompanhar a inflação. Com a renda crescendo cada vez menos, a alternativa para manter o nível de consumo acaba sendo recorrer ao crédito, que está, porém, cada vez mais caro.

A manicure Jorgeana de Oliveira, 30 anos, se endividou com o cartão de crédito em 2013 e enfrentou uma luta para pagar a dívida até o início deste ano. “Foi uma pendência grande, que cresceu e se tornou muito difícil de pagar por causa dos juros cobrados pelo banco”, disse. Para não passar novamente pelo sufoco, desde o começo do ano, ela prioriza pagamentos à vista. Antes viciada em compras a prazo, ela destruiu quase todos os cartões de crédito e de lojas. Deixou apenas um na carteira, para casos de emergência. “Se é para pagar esses juros absurdos, que seja só de um”, comentou.

Os gastos que fizeram com que Jorgeana ficasse endividada foram supérfluos, mas Bentes, da CNC, garante que muitos brasileiros têm precisado recorrer ao crédito para pagar despesas diárias. “Muita gente teve que tomar recursos para pagar a conta de luz no começo do ano, por exemplo, que ficou bem mais cara em um momento que já é apertado para o orçamento das famílias”, disse.

Os dados do BC mostram também que, em abril, 21,98% do orçamento das famílias foi destinado ao pagamento de débitos, sendo 12,52% desse total usado para amortização da dívida e 9,46% para o pagamento de juros— maior percentual destinado a juros desde janeiro de 2012, quando atingiu 9,51%.O índice geral se manteve estável na comparação com março (21,97%), mês em que 9,43% do orçamento se destinava ao pagamento de juros e 12,54% à amortização do valor devido.

Para Bentes, o endividamento deve se manter estável até o fim do ano devido à retração do consumo e à baixa da inflação, que foi puxada pelo aumento de tarifas, algo que não deve se repetir até o fim do ano.
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